Mostrando postagens com marcador Literatura: Conteúdos. Mostrar todas as postagens
Mostrando postagens com marcador Literatura: Conteúdos. Mostrar todas as postagens

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Resumo: Literatura Brasileira


LITERATURA BRASILEIRA - Quadro Cronológico


ESTILO LITERÁRIO /                      DESTAQUES                              CARACTERÍSTICAS GERAIS
ERA COLONIAL QUINHENTISMO

Início:
A Carta de Caminha

Contexto histórico:


  • Os portugue- ses chegam ao Brasil
  • A chegada dos primeiros jesuítas ao Brasil
Literatura documental, histórica, de caráter informativo.
A Carta de Caminha
é o primeiro documento literário brasileiro. Carta descritiva com espírito ufanista e nativista. Foi parodiada de forma satírica por Oswald de Andrade, poeta modernista.
O Quinhentismo serviu de inspiração literária para alguns poetas e escritores do Romantismo e do Modernismo.
No Romantismo: Gonçalves Dias, José de Alencar.
No Modernismo: Oswald de Andrade.

Destacaram-se:

- Pero Vaz de Caminha - A Carta de Caminha
- Pe. José de Anchieta - escreveu textos religiosos, um teatro religioso. Tinha devoção ao culto mariano. Recebeu influência da tradição medieval. Obs.: Não recebeu influência da poesia lírica de Camões (soneto).
- Pe. Manuel da Nóbrega
BARROCO

Início:
Prosopopeia - poema épico de Bento Teixeira

Contexto histórico:


  • As invasões holandesas no Brasil
  • Os bandeirantes
Frequência das antíteses e paradoxos, fugacidade do tempo e incerteza da vida.
Características:
rebuscamento, virtuosismo, ornamentação exagerada, jogo sutil de palavras e ideias, ousadia de metáforas e associações.
Cultismo ou Gongorismo:
abuso de metáforas, hipérboles e antíteses. Obsessão pela linguagem culta, jogo de palavras.
Conceptismo (Quevedo):
jogo de ideias, pesquisa e essência íntima.

Destacaram-se:

- Gregório de Matos - apelidado de "A Boca do Inferno". Oscilou entre o sagrado e o profano. Poeta lírico, satírico, reflexivo, filosófico, sacro, encomiástico, obsceno. Não foi poeta épico.
- Bento Teixeira
- Pe. Antonio Vieira - Expoente máximo da Literatura Brasileira e da Literatura Portuguesa, pois durante sua estada em Portugal aderiu a temas nacionais portugueses e durante a sua permanência no Brasil, aderiu a temas nacionais brasileiros. Era prosador e não poeta, e conceptista, pois atacou o cultismo. Escreveu sermões, entre eles o Sermão da Sexagésima.
ARCADISMO

Início:
Publicação de Obras Poéticas, de Cláudio Manuel da Costa, obra inicial do Arcadismo brasileiro.

Contexto histórico:

  • A Inconfidência Mineira
  • A Revolução Farroupilha
  • A vinda da Família Real para o Brasil
Pastoralismo, bucolismo. Ideal de vida simples, junto à natureza (locus amoenus).
Fugere urbem
("evitar a cidade", "fugir da civilização"). busca do equilíbrio e da naturalidade, no contato com a natureza.
Carpe diem
("aproveite o dia"). Consciência da fugacidade do tempo.
Simplicidade, clareza e equilíbrio. Emprego moderado de figuras de linguagem.
Natureza racional (é vista como um cenário, como uma fotografia, como um pano de fundo.
Pseudônimos.
Fingimento / Artificialismo

Destacaram-se:

- Tomás Antonio Gonzaga - poeta maior do Arcadismo brasileiro com suas liras Marília de Dirceu. Pseudônimo como poeta lírico: Dirceu; pseudônimo como poeta satírico: Critilo (Cartas Chilenas). Autores épicos do Arcadismo brasileiro:
- Cláudio Manuel da Costa - Poeta lírico e épico. Seu pseudônimo é Glaudeste Satúrnio. Seus sonetos são de imitação Camoniana. Obra: Vila Rica.
- Basílio da Gama - Obra: O Uraguai.
- Santa Rita Durão - Obra: Caramuru. Obs.: O índio antes de José de Alencar aparece nos poemas épicos O Uraguai e Caramuru. Portanto, o Arcadismo preparou o Romantismo.
ERA NACIONAL ROMANTISMO

Início:
publicação de Suspiros Poéticos, de Gonçalves de Magalhães
Contexto histórico:

  • A Imprensa no Brasil
  • A crise do 2º Reinado
  • A abolição da escravidão
Predomínio da emoção, do sentimento (subjetivismo); evasão ou escapismo (fuga à realidade). Nacionalismo, religiosidade, ilogismo, idealização da mulher, amor platônico. Liberdade de criação e despreocupação com a forma; predomínio da metáfora.

1ª geração romântica:
1840/50 - indianista ou nacionalista. A temática era o índio, a pátria.
Destacou-se:
- Gonçalves Dias - Obras:
Canção do Exílio e I Juca Pirama.

2ª geração romântica:
1850/60 - byroniana, mal-do-século, individualista ou ultra-romântica. A temática era a morte.
Destacou-se:

Álvares de Azevedo - poeta da dúvida, tinha obsessão pela morte. Recebeu influência de Byron e Shakespeare. Oscila entre a realidade e a fantasia. Obra: Livro de contos Noite na taverna.

3ª geração romântica:
1860/70 - condoreira, social ou hugoana. A temática é a abolição e a república.
Destacaram-se:

Poesia:

- Castro Alves - poeta representante da burguesia liberal. Obras: Espumas Flutuantes, O Navio Negreiro, Vozes d'África.
Prosa:

- José de Alencar (representante maior) - defensor do "falar brasileiro" / dá forma ao herói / amalgamando a sua vida à natureza.
- Joaquim Manuel de Macedo - Obra: A Moreninha.
- Bernardo Guimarães - Obra: A escrava Isaura.
- Manuel Antônio de Almeida - Obra: Memórias de um sargento de milícias.

Modalidades do Romantismo:
Romance de folhetim - Teixeira e Sousa, O filho do pescador.
Romance urbano - Joaquim Manuel de Macedo, A Moreninha.
Romance regionalista: Bernardo Guimarães, O ermitão de Muquém.
Romance indianista e histórico - José de Alencar, O Guarani.

Obs.:
O Romantismo está para o Modernismo.
REALISMO / NATURALISMO

REALISMO


Início:
Memórias Póstumas de Brás Cubas, de Machado de Assis, publicado em 1881.

NATURALISMO


Início:
O Mulato, de Aluísio Azevedo

Contexto histórico:

  • A Proclamação da República
  • A Primeira República
REALISMO
Literatura de combate social, crítica à burguesia, ao adultério e ao clero.
A
nálise psicológica dos personagens.
Objetividade, temas contemporâneos.
Destacou-se:
Machado de Assis - trilogia:
Memórias Póstumas de Brás Cubas (narrado em 1ª pessoa); Quincas Borba ("ao vencedor as batatas"); Dom Casmurro (narrado em 1ª pessoa - enigma de traição)

NATURALISMO

Desdobramento do Realismo.
Escritores naturalistas retratam pessoas marginalizadas pela sociedade.
O Naturalismo é fruto da experiência.
Análise biológica e patológica das personagens.
Determinismo acentuado.
As personagens são compradas aos animais (zoomorfismo).

Destacaram-se:

- Aluísio Azevedo - Obras: O Mulato; O Cortiço (romance social, personagem principal do romance é o próprio cortiço).
- Raul Pompeia - Obra: O Ateneu.
PARNASIANISMO

Início:
Fanfarras, de Teófilo Dias

Contexto histórico:

  • Contemporâneo do Realismo - Naturalismo
Estilo especificamente poético, desenvolveu-se junto com o Realismo - Naturalismo.
A maior preocupação dos poetas parnasianos é com o fazer poético.
Arte pela arte.
Poesia descritiva sem conteúdo; vocabulário nobre; objetividade.
Os poetas parnasianos são considerados "os mestres do passado". Por suas manias de precisão foram criticados severamente pelos poetas do 1º Tempo Modernista.

Destacou-se:

Olavo Bilac (poeta representante) - Profissão de Fé.
SIMBOLISMO

Início:
Missal e Broquéis, de Cruz e Souza

Contexto histórico:

  • Fundação da Academia Brasileira de Letras
Origem: a poesia de Baudelaire.
Características:
desmistificação da poesia, sinestesia, musicalidade, preferência pela cor branca, sensualismo, dor e revolta.

Destacou-se:
Cruz e Souza (poeta representante) - Obra:
Missal e Broquéis.
PRÉ-MODERNISMO

Início:
Os Sertões, Euclides da Cunha; Canaã, Graça Aranha

Contexto histórico:

  • Guerra do Contestado
  • A Revolta dos 18 do Forte de Copacabana
  • A revolta da Vacina
Convivem juntas duas tendências:

1. Conservadora:
sobrevivência da mentalidade positivista, agnóstica e liberal.

Destacou-se:
Euclides da Cunha - Obra:
Os Sertões (miséria e subdesenvolvimento nordestino).

2. Renovadora:
incorporação de aspectos da realidade brasileira.

Destacaram-se:

- Lima Barreto, Triste Fim de Policarpo Quaresma (a vida urbana e as transformações de início de século).
- Monteiro Lobato - livro de contos Urupês (a miséria do caboclo, a decadência da cultura cafeeira). Obs.: Foi Monteiro Lobato quem criticou a exposição da pintora Anita Malfatti, chamando-a de "Paranóia ou Mistificação".
- Graça Aranha, Canaã (imigração além do Espírito Santo).

Poeta representante:
Augusto dos Anjos - Obra: Eu e outras poesias.
MODERNISMO
PRIMEIRA FASE


Início:
Semana de Arte Moderna

Contexto histórico:

  • Fundação do Partido Comunista Brasileiro
  • A Revolução de 1930
Poesia nacionalista.
Espírito irreverente, polêmico e destruidor, movimento contra.
Anarquismo, luta contra o tradicionalismo; paródia, humor.
Liberdade de estética. Verso livre sem uso da métrica. Linguagem coloquial.

Destacaram-se:

- Mário de Andrade - Obra: Pauliceia desvairada (Prefácio Interessantíssimo)
- Oswald de Andrade - Obra: Manifesto antropofágico / Pau-Brasil
- Manuel Bandeira - Obra: Libertinagem
MODERNISMO
SEGUNDA FASE


Contexto histórico:


  • A Era Vargas
  • Lampião e o cangaço no sertão
Destaca-se a prosa regionalista nordestina (prosa neo-realista e neo-naturalista).

Representantes:

- Graciliano Ramos - representante maior, criador do romance psicológico nordestino - Obras: Vidas Secas; São Bernardo.
- Jorge Amado - Obras: Mar Morto; Capitães da Areia.
- José Lins do Rego - Obras: Menino de Engenho; Fogo Morto.
- Rachel de Queiroz - Obra: O Quinze.
- José Américo de Almeida - Obra: A Bagaceira

Poesia 30/45 -
ruma para o universal.
Carlos Drummond de Andrade faz poesia de tensão ideológica.

Fase de Drummond:

- Eu maior que o mundo - poema, humor, piada.
- Eu menor que o mundo - poesia de ação.
- Eu igual ao mundo - poesia metafísica.

Poetas espiritualistas:

- Cecília Meireles - herdeira do Simbolismo.
- Jorge de Lima - Invenção de Orpheu.
- Vinícius de Moraes - Soneto da Fidelidade.
MODERNISMO
TERCEIRA FASE


Contexto histórico:


  • A Redemocratização do Brasil
  • A ditadura militar no Brasil
Continua predominando a prosa.

Representantes:

- Guimarães Rosa - Neologismo - Obra: Sagarana.
- Clarice Lispector - Introspectiva - Obra: Laços de Família, onde a autora procura retratar o cotidiano monótono e sufocante da família burguesa brasileira.
Obs.:
Os escritores acima procuram universalizar o romance nacional. São considerados pela crítica literária, escritores instrumentalistas.

Poesia concreta:

- João Cabral de Melo Neto - poeta de poucas palavras. Obra de maior relevância literária: Morte e Vida Severina. Tem intertextualidade com o teatro Vicentino.

O Barroco no Brasil

BARROCO NO BRASIL

  • O marco inicial do Barroco brasileiro é o poema épico, Prosopopéia de Bento Teixeira (1601). Há dúvidas quanto à origem do poeta, estudos literários recentes afirmam que ele nasceu em Portugal, porém viveu grande parte de sua vida no Brasil, em Pernambuco.
  • PROSOPOPÉIA é um poema épico com 94 estrofes, que exalta Jorge de Albuquerque Coelho, terceiro donatário da capitania de Pernambuco. Bento Teixeira imita Camões de maneira infeliz, sua obra é cansativa e tem apenas valor histórico.

CONTEXTO HISTÓRICO DO BARROCO BRASILEIRO
  • O Barroco domina durante todo o século XVII e metade do século XVIII, até 1768.
  • Na literatura desenvolveu-se na Bahia e nas artes plásticas (esculturas) em Minas gerais
  • Com as obras do Aleijadinho (Antônio Francisco Lisboa), e na pintura do Mestre Ataíde.

BARROCO BRASILEIRO
  • Movimento artístico e filosófico que surge com o conflito entre a Reforma Protestante e a Contra Reforma. Seu objetivo era propagar a religião através de uma arte de impacto, sinuosa, enfeitada ao extremo.Arte altamente contraditória.
  • A origem da palavra barroco é obscura, hipóteses têm sido consideradas mais aceitáveis:  barroco  era o adjetivo que designava certas pérolas de superfície irregular e preço inferior. De qualquer forma há um valor depreciativo na palavra, que durante muito tempo foi usada para indicar uma arte e uma literatura bizarra, extravagante.

CARACTERÍSTICAS GERAIS DA LITERATURA BARROCA
  • O homem dividido entre o desejo de aproveitar a vida e o de garantir um lugar no céu.
  • Conflito existencial gerado pelo dilema do homem dividido entre o prazer pagão e a fé religiosa.
  • Antropocentrismo x Teocentrismo (Homem X Deus, Carne X Espírito).
  • Detalhismo e rebuscamento- a extravagância e o exagero nos detalhes.
  • Contradição- é a arte do contraditório, onde é comum a idéia de opostos: bem X mal, pecado X perdão, homem X Deus.
  • Linguagem rebuscada e trabalhada ao extremo, usando muitos recursos estilísticos e figuras de linguagem e sintaxe, hipérboles, metáforas, antíteses e paradoxos, para melhor expressarem a comparação entre o prazer passageiro da vida e a vida eterna.
  • Regido por duas filosofias: Cultismo e Conceptismo. Cultismo é o jogo de palavras, o uso culto da língua, predominando inversões sintáticas. Conceptismo são os jogos de raciocínio e de retórica que visavam melhor explicar o conflito dos opostos.

PRINCIPAIS REPRESENTANTES DO BARROCO BRASILEIRO
  • POESIA
- GREGÓRIO DE MATOS GUERRA nasceu em Salvador, em 1663, estudou em Coimbra, exerceu cargos de magistratura em Portugal até, 1681, quando voltou definitivamente para o Brasil, provavelmente fugindo de inimigos angariados por suas poesias satíricas. Na Bahia, voltou a sofrer perseguições devido a suas sátiras. Por isso ganhou o apelido de Boca do Inferno ou Boca de Brasa

- TEMAS DA POESIA GREGORIANA:




  *POESIA RELIGIOSA: mostra o autor envolvido pelo sentimento de culpa e de arrependimento, implorando perdão.
  *POESIA SATÍRICA: mostra a crítica severa de uma sociedade marcada pela mediocridade e pela desonestidade, nasce de um sujeito lírico que adota um ponto de vista conservador e preconceituoso. Seus poemas satíricos renderam-lhe o apelido de Boca do Inferno.
  *POESIA ERÓTICA: mostra o uso de palavrões e alusões obscenas, mesmo em textos sutis onde a ambigüidade aparece repleta de safadeza.
  • PROSA
- PADRE ANTÔNIO VIEIRA nasceu em Lisboa, em 1608, chegou ao Brasil e se instalou em Salvador, iniciando seu noviciado na Companhia de Jesus.Efetivou uma política de defesa dos cristãos ?novos, procurando protegê-los da Inquisição em Portugal.

Sua extensa obra reflete seu envolvimento nos debates sociais e políticos de Portugal e do Brasil no século XVII. Os sermões e cartas, além de temas especificamente religiosos também manifestam questões polêmicas da época como: a luta pela independência portuguesa,, o confronto com holandeses no nordeste, a escravidão índia e negra, a defesa dos judeus e cristãos-novos contra a intolerância da Inquisição.

OBRAS: CARTAS E SERMÕES ? Sermão da Sexagésima , Sermão de Santo Antônio aos peixes e outros.
Sua obra é notável pelo manuseio da expressão verbal, são textos riquíssimos em imagens, jogos de significado e conceitos, metáforas, e ricos em recursos lingüísticos.

Para a literatura, sua importância foi fundamental. Vieira fixou a prosa na língua portuguesa nos mesmos padrões de realização artística a que Camões fixou a poesia, transformando-se num clássico da língua.
O mais conhecido sermão de Vieira, o Sermão da Sexagésima é uma conclusão de que a palavra de Deus vinha obtendo poucos resultados porque os pregadores estavam mais aplicados em obter efeitos literários do que moralizantes, o que transformava os sermões em vazios estéticos.

Vieira compara a estrutura do sermão à estrutura de uma árvore ? ?a àrvore da vida?, onde as partes constituintes da àrvore, todas relacionadas às partes do sermão.(troncos, ramos,folhas, varas, flores, frutos) numa ordem simetricamente inversa a seguir(frutos, flores, varas, folhas , ramos e tronco. Lendo-se cuidadosamente percebe-se o ritmo das frases e a cadência do texto. Era uma peça para ser exposta oralmente.

segunda-feira, 6 de junho de 2011

Pré-Modernismo

CARACTERÍSTICAS
   O  Pré-Modernismo  é  um  movimento  literário  tipicamente brasileiro.  Convencionou-se  chamar  de Pré-Modernismo  o  período anterior à Semana de Arte Moderna de 1922.
   Didaticamente, esse movimento literário tem início em 1902 com a  publicação  do  livro  Os  Sertões,  de  Euclides  da  Cunha  e  com  a publicação do  livro Canaã de Graça Aranha. O  Pré-Modernismo é um período  de  transição,  pois  ao mesmo  tempo  em  que  encontrávamos produções  conservadoras  como as poesias parnasianas e  simbolistas, encontrávamos  as  primeiras  produções  de  caráter  mais  moderno, preocupadas com a realidade brasileira da época.
Principais características do Pré-Modernismo brasileiro:
  • Ruptura com o passado
  • Denúncia da realidade
  • Regionalismo
  • Tipos humanos marginalizados
Ruptura com o passado = As novas produções rompem com o academismo e com os modelos preestabelecidos pelas antigas estéticas.
Denúncia da realidade = A  realidade não oficial passa a ser a temática do período.
Regionalismo = São  retratados o sertão nordestino, o  interior paulista, os subúrbios cariocas, entre outras regiões brasileiras.
Tipos humanos marginalizados  =  Nas  obras  desse  período, encontram-se retratadas muitas figuras marginalizadas pela elite, como o sertanejo nordestino, o caipira, o mulato, entre outros tipos.

Principais autores do Pré-Modernismo brasileiro:
  • Euclides da Cunha
  • Lima Barreto
  • Monteiro Lobato
  • Graça Aranha
  • Augusto dos Anjos *
Euclides  da  Cunha  =  retratou  a miséria  do  subdesenvolvido nordeste do país.
Lima Barreto = retratou a vida carioca urbana e suburbana do início do século XX.
Monteiro Lobato = retratou a miséria dos moradores do interior do sudeste e a decadência da economia cafeeira.
Graça Aranha = retratou a imigração alemã no Espírito Santo.
Augusto  dos  Anjos  *  =  apresenta  uma  classificação problemática, não podendo ser apenas estudado como um autor pré-modernista. Sua obra apresenta elementos de várias estéticas. Mas para fins didáticos costuma-se estudá-lo como pré-modernista.

Euclides da Cunha era engenheiro, mas se destacou no cenário brasileiro do começo do século XX como escritor.

Euclides  da  Cunha  também  era  jornalista  e  foi  mandado  a Canudos, na Bahia  como  correspondente do  jornal  “O Estado de São Paulo”, com a  tarefa de  registrar as operações do exército na  revolta baiana.

A Guerra de Canudos será o tema principal de seu livro mais famoso: Os Sertões.

O Livro Os Sertões é um livro que se localiza entre a sociologia e a literatura, tamanha a riqueza de detalhes e a preocupação em retratar a realidade da maneira em que ela se apresentava.

Os  Sertões  é  uma  das  primeiras  obras  a  romper  com  a  visão romântica do Brasil enquanto terra paradisíaca. Nesse livro, Euclides daCunha  construiu  uma  espécie  de  narrativa  negativa  de  um  povo
massacrado  pela miséria  e  pela  injustiça  social.  Segundo  o  autor,  a realidade  da  guerra  era  muito diferente  da  que  o  governo  dizia. Aparentemente  o motivo  desencadeador  da  revolta  foi  o  fanatismo religioso e o cangaço, mas na realidade os profundos motivos foram o istema latifundiário, a servidão e o abandono social da região.

O  livro  está  dividido  em  três  partes:  na  primeira,  Euclides descreve  a  terra,  o  cenário  em  que  se  desenvolverá  o  enredo;  no segundo, o autor faz uma descrição do homem, explicando a origem dos
jagunços e cangaceiros. Destaca-se nesse momento a descrição do líder do movimento, Antônio Conselheiro. Na  terceira parte, encontra-se a grande  talvez  a  maior  riqueza  do  livro,  nela  Euclides  da  Cunha
apresenta o conflito em si. Somente depois de várias expedições é que os revoltados são vencidos. Dos mais de 20 mil brasileiros em Canudos, restaram  apenas  4:  um  velho,  dois  homens  feitos  e  uma  criança  na
frente de um exército de 5 mil homens.

Veja um outro importante autor pré-modernista:

Lima Barreto teve uma vida muito atribulada, principalmente por ser pobre e negro,  numa  época  marcada  por  várias  formas  de  preconceito.  Ao  contrário  deMachado  de  Assis,  que  alcançou  a  notoriedade ainda  em  vida,  Lima  Barreto  sofreu muito  com  o  preconceito  racial,  com  o  alcoolismo  e  com  as  freqüentes  crises depressivas.

Lima  Barreto,  sentindo as dores do preconceito e da pobreza, mostrou  grande  identificação  com  as pessoas  marginalizadas  da sociedade da época, com as quais sempre conviveu. Sua obra é uma literatura sobre  o  povo  e  para  o  povo,  seus  textos  apresentam  uma linguagem simples e direta, assemelhando-se à linguagem jornalística, panfletária. O que lhe causou muitas críticas.

Lima Barreto soube como nenhum outro pré-modernista retratar com muito  realismo a vida dos subúrbios cariocas e as desigualdades sociais do Rio de janeiro do  início do século XX, uma época de grande desenvolvimento e transformações.

Entre seus livros mais conhecidos está Triste Fim de Policarpo Quaresma. Nesse  romance  narrado  em  terceira  pessoa,  através  de uma  forte  carga  humorística,  Lima Barreto  conta  a  história  do Major Policarpo Quaresma. O livro é uma caricatura da vida política brasileira no período posterior à proclamação da República.

Policarpo Quaresma é um fanático, uma espécie de Dom Quixote brasileiro.  Possuidor  de  um  nacionalismo  extremo,  Quaresma  tenta evitar a todo custo a influência da cultura européia na cultura brasileira.

Entre  suas  várias  tentativas  de  preservar  a  cultura  nacional  o major chega a escrever uma carta ao Congresso Nacional. Veja com que objetivo:

      “Policarpo Quaresma, cidadão brasileiro, funcionário público, certo de que a  língua portuguesa é emprestada ao Brasil; certo  também de que, por este fato, o falar e o escrever em geral, sobretudo no campo das letras, se vêem na humilhante contingência de sofrer continuamente censuras  ásperas  dos  proprietários  do  língua;  sabendo,  além,  que, dentro de nosso país, os escritores, com especialidade os gramáticos, não  se entendem  no  tocante  à  correção  gramatical,  vendo-se, diariamente,  surgir  azedas  polêmicas  entre  os    mais  profundos estudiosos  do  nosso  idioma,  usando  o  direito  que  lhe  confere  a Constituição,  vem  pedir  que  o  Congresso  Nacional  decrete  o  tupi-guarani como língua oficial e nacional do povo brasileiro”.

Depois de muita confusão Quaresma é  internado como  louco. Ao sair do hospício seu nacionalismo parece ter diminuído um pouco, mas se lança em outra batalha, desejava reformar a agricultura do país.

Veja outro conhecido autor do pré-modernismo brasileiro:

Monteiro Lobato  foi  uma  figura muito  polêmica,  ao  contrário  da  impressão que a maioria das pessoas tem hoje a seu respeito. Hoje, falar em Lobato é lembrar do escritor de  livros  infantis e  criador do Sítio do Pica-pau Amarelo, mas  sua produção não se limita a esse gênero.

Monteiro Lobato  foi um escritor que  retratou como ninguém o atraso das regiões interioranas de São Paulo. Ele foi o criador de um dos símbolos do atraso e da ignorância do caipira. Ele é o criador da figura
do Jeca Tatu.

Lobato tinha um gênio muito forte, desde criança mostro-se rebelde.  Foi  um  dos  primeiros  a  dizer  que  havia  petróleo  em  terras brasileiras, chegando a ser preso por isso, durante o período da ditadura militar. Seu jeito explosivo foi responsável por um dos motivadores do movimento  modernista.  Monteiro  Lobato,  num  artigo  intitulado “Paranóia ou mistificação?”, faz duras críticas ao trabalho modernista da pintora Anita Malfatti.

Veja o tom de suas palavras:
      “Há  duas  espécies  de  artistas.  Uma  composta  dos  que  vêem normalmente as coisas e em conseqüência fazem arte pura, guardados os  eternos  ritmos  da  vida,  e  adotados,  para  a  concretização  das emoções estéticas, os processos clássicos dos grandes mestres (...) A  outra  espécie  é  formada  dos  que  vêem  anormalmente  a natureza  e  a  interpretam  à  luz  de  teorias  efêmeras,  sob  a  sugestão estrábica excessiva. São produtos do cansaço e do sadismo de todos os períodos  de  decadência;  são  frutos  de  fim  de  estação,  bichados  ao nascedoiro  (...) Embora eles  se dêem  como novos precursores duma arte a vir, nada é mais velho do que a arte anormal ou  teratológica:
nasceu  com  a  paranóia  e  com  a mistificação  (...)  Sejamos  sinceros; futurismo, cubismo, impressionismo e tutti quanti não passam de outros tantos ramos da arte caricatural (...)”

Graça Aranha  é  o  autor  de Canaã,  que  juntamente  com  Os Sertões,  dá  início  ao  Pré-Modernismo  brasileiro.  Nessa  obra  Graça Aranha narra o processo de colonização alemã no Espírito Santo.

Augusto  dos  Anjos,  como  já  foi  visto,  apresenta  uma classificação  problemática.  Ele  era  conhecido  como  o  autor  do pessimismo, do mau gosto, do escarro e dos vermes.
Veja um de seus textos:

     Psicologia de um vencido

Eu, filho do carbono e do amoníaco,
Monstro de escuridão e rutilância,
Sofro, desde a epigênese da infância,
A influência má dos signos do zodíaco.
Profundissimamente hipocondríaco,
Este ambiente me causa repugnância...
Sobe-me à boca uma ânsia análoga à ânsia
Que se escapa da boca de um cardíaco.
Já o verme – este operário das ruínas –
Que o sangue podre das carnificinas
Come e à vida em geral declara guerra,
Anda a espreitar meus olhos para roê-los,
E há de deixar-me apenas os cabelos,
Na frialdade inorgânica da terra!